O especialista em generalidades é um risco para a empresa quando assume posição de gestor em qualquer nível hierárquico. No plano privado, ele é apenas aquele tipo de pessoa que pontifica sobre tudo. Tem opinião sobre o Papa, o Aitolá, o Terceiro Mistério de Fátima, o Charlie Hebdo e até sobre o guardinha da esquina. Nada nem ninguém escapa ao seu escrutínio.

A grande dificuldade de alguns gestores é reconhecer a força e o conhecimento específico de profissionais especializados

Helvio Falleiros

O líder moderno, ao contrário, não tem opinião sobre tudo. Ele não sabe tudo e nem tem a intenção de saber. Ninguém reconhece tanto quanto ele que muitos de seus subordinados sabem muito mais do que ele sobre assuntos específicos. A qualidade do líder moderno é saber escolher sua equipe e usar a força e a qualidade desse time para tomar decisões. Ele sabe enxergar a floresta e usa os olhos da equipe para enxergar as árvores.

Todo esse preâmbulo vem a propósito de uma questão sempre presente nas empresas e também na relação destas com consultores externos. A grande dificuldade de alguns gestores é reconhecer a força e o conhecimento específico de profissionais especializados – em marketing ou em qualquer outra área.

É conhecida a história envolvendo o publicitário Washington Olivetto e um dirigente de uma indústria que produzia equipamentos de combate aos ácaros no ambiente. O tal gestor queria porque queria dar destaque, nas peças publicitárias, à imagem ampliada desses monstruosos bichinhos, que parecem saídos de um filme de terror. Não deu negócio, naturalmente. E a empresa foi bater em outra freguesia.

Da interferência indevida dos “especialistas em generalidades” padecem muitos profissionais. Arquitetos, publicitários, comunicadores, designers, homens de marketing. Internamente, nas empresas, fenômeno semelhante acontece. O especialista em generalidades adora dar palpite em tudo – na cor da fachada, no design da peça publicitária, na estratégia da campanha.

O especialista em generalidades é um risco para a empresa quando assume posição de gestor em qualquer nível hierárquico.

Helvio Falleiros

Não há solução simples para o conflito. Ter à frente um gestor moderno, que reconhece e saber usar a força da sua equipe (ou de seus consultores), é algo muito importante. Esse gestor moderno não fica diminuído com o conhecimento alheio. Pelo contrário. Ele é uma máquina de absorver conhecimento, motivar a equipe e buscar, coletivamente, novos caminhos.

Ou melhor, a solução é simples, em tese. Basta ter, de um lado, um gestor moderno, aberto e confiante e, de outro, um profissional que sabe bem da sua área e que conhece profundamente o projeto em que está envolvido e a empresa para a qual trabalha. Fecha-se o ciclo virtuoso.

O círculo vicioso é quando se tem um gestor inseguro e, por isso, “cheio de opiniões para dar” e profissionais igualmente inseguros travando uma batalha inglória, cujo resultado é um trabalho pífio. Vade retro!

Imagem: NLshop/iStock.com

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