Caetano Veloso já expressava, em “Alegria, Alegria”, a angústia contemporânea diante da avalanche de notícias. “Quem lê tanta notícia?”, cantava o poeta. Ninguém lia, na verdade. E de lá para cá, a coisa só piorou. A onda crescente da informação na década de 1960 transformou-se em tsunami hoje, com a internet e as redes sociais.

Nem o mais otimista diretor de jornal acredita que seus leitores leem o jornal inteiro. Jornal não é feito para isso.

Helvio Falleiros

Ninguém lê tudo – até porque essa tarefa seria literalmente irrealizável. As pessoas fazem seleções. Quando temos à frente a primeira página de um bom jornal diário ali vemos uma síntese dos acontecimentos recentes mais importantes, na visão dos editores daquele veículo. Passamos os olhos nos títulos, lemos as chamadas que mais despertam a nossa atenção e desprezamos outras.

Diante daquilo que de fato nos interessa, vamos da primeira página à íntegra da matéria na página interna. E fazemos então uma leitura mais atenta e cautelosa, caso o texto prenda de fato a nossa atenção. Nem o mais otimista diretor de jornal acredita que seus leitores leem o jornal inteiro. Jornal não é feito para isso. É feito para que cada leitor faça a sua seleção, “construa” o seu próprio jornal a partir das escolhas que faz. E isso é ainda mais verdadeiro diante da internet e das redes sociais.

Cada internauta funciona como o editor do seu próprio jornal, montando as informações que lhe pareçam mais relevantes. E aqui entramos na etapa conclusiva deste texto. O problema não é o volume do texto. É provável que hoje, com tudo o que temos à disposição, lemos muito mais do que os leitores do passado. O desafio é fazer com que o público que interessa para você leia, curta, assista e compartilhe o conteúdo que você produziu.

E o primeiro passo para isso é que ele seja “fisgado” por aquilo que você produziu. Não importa tanto que ele vá até o fim e leia todo o conteúdo. Importa é que leia o lead (veja mais a seguir…) e, quem sabe, se o conteúdo for relevante, siga na leitura. Veja a seguir 7 dicas que considero relevantes para a criação de conteúdo.

Conteúdo relevante é…

Adequação ao tipo de mensagem

É fundamental a adequação do texto ao tipo de mensagem. Parece óbvio mas isso nem sempre é obedecido. Um comunicado que trate da fusão de duas empresas não pode ser apresentado em dois parágrafos. Uma mudança de endereço não requer mais do que um parágrafo. O anúncio de um novo produto pode exigir várias versões. Uma de cunho publicitário, outra versão mais técnica e detalhada, uma versão para a imprensa etc.

Adequação ao meio

Mensagem no Twitter tem 140 caracteres no máximo. Deve ser objetiva, simples, sem rodeios. Post no FanPage da empresa tem outras características, busca o engajamento. Uma matéria postada no site não precisa ter só um parágrafo. Pode conter imagens, gráficos, tabelas, ilustrações. Ou seja, é fundamental pensar na forma de apresentação das informações. Um anúncio em revista pode basear-se na força das imagens e da proposta. O texto pode ser curto, com predominância de fotos ou ilustrações.

Adequação ao público

O texto é dirigido a quem? Qual é o perfil de quem vai receber a informação? Trata-se de uma pergunta cuja resposta é decisiva para definir as características formais e de conteúdo da mensagem. Um médico pneumologista não vê uma notícia sobre sua área sem dar uma passada de olhos. Se o tema interessá-lo, ele certamente vai ler o texto. Isso vale para qualquer tipo de público. Quem gosta de esportes, lê esportes. Quem trabalha com escola, presta atenção em temas pedagógicos ou de gestão escolar. Agora, não adianta forçar a barra. Quem não curte teatro, dificilmente vai ler qualquer coisa sobre o tema. Não perca tempo, portanto. Faça foco no interesse do público.

Adequação ao perfil do emissor

Mensagem de uma banda de rock progressivo é necessariamente muito diferente do texto emitido por instituição de ensino ou banco. O texto precisa refletir e estar em íntima sintonia com o perfil do emissor.

Mensagem direta, com os destaques no início

Na linguagem jornalística, lead é a abertura do texto que contém as informações decisivas e importantes. Se passar pelo lead, o leitor já terá recebido as informações essenciais. Ou seja, com boa técnica não é preciso que o leitor leia a íntegra do texto. Basta que ele complete a leitura do lead – que coincide com o primeiro parágrafo. Naturalmente, um bom lead convida e estimula a leitura dos demais parágrafos. Portanto, não tema o texto longo. Combata, no entanto, o texto ruim.

Força expressiva

O grande desafio do redator é passar informação com densidade expressiva. Texto bom é rico na mensagem e carregado de força expressiva. É interessante, atraente, bem humorado, preciso, confiável. O uso de recursos visuais é fundamental – desde que as escolhas estejam a serviço do conteúdo, da mensagem principal.

Qualidade, qualidade, qualidade

No frigir dos ovos, o que conta é a qualidade do conteúdo – ou seja, texto, imagens, ilustrações, tabelas. É a mensagem certa, no meio certo, com a roupagem adequada, dirigida ao público que se interessa por aquele tema. É esse composto que faz o conteúdo ter qualidade e relevância.

Cada internauta funciona como o editor do seu próprio jornal, montando as informações que lhe pareçam mais relevantes.

Helvio Falleiros

Helvio Falleiros
Strada Comunicação

Imagem: WilleeCole/iStock.com